Oncoginecologia

Câncer de ovário

É um tumor desafiador porque costuma ser silencioso no início e, muitas vezes, é descoberto em estágios avançados. Conhecer os sinais e o risco genético da família faz diferença.

Sinais que merecem atenção

Os sintomas do câncer de ovário costumam ser vagos e parecidos com problemas digestivos comuns. O que chama a atenção é a persistência, por mais de algumas semanas:

  • abdome estufado ou aumento do volume da barriga;
  • sensação de saciedade rápida ao comer;
  • dor pélvica ou abdominal;
  • vontade de urinar com mais frequência ou urgência;
  • mudança no hábito intestinal;
  • perda de peso sem causa aparente.

Sintomas persistentes, principalmente após a menopausa

Merecem avaliação médica. Na maioria das vezes a causa não é câncer, mas é assim que se evita a demora no diagnóstico.

Fatores de risco

  • idade: é mais comum depois dos 50 anos;
  • histórico familiar de câncer de ovário, mama, intestino ou endométrio;
  • alterações genéticas hereditárias, como nos genes BRCA1 e BRCA2, e a síndrome de Lynch;
  • nunca ter engravidado;
  • endometriose, em alguns tipos de tumor.

Gestação, amamentação e o uso prolongado de anticoncepcional oral estão associados a menor risco.

Existe exame preventivo?

Ainda não existe um exame de rastreamento eficaz para a população em geral. Em um grande estudo britânico com mais de 200 mil mulheres, o ultrassom e o marcador CA-125 feitos de rotina, em mulheres sem sintomas, não reduziram as mortes por câncer de ovário.

Por isso, a estratégia é conhecer os sinais, procurar avaliação quando eles persistem e identificar as mulheres com risco hereditário.

Risco genético

Toda mulher com diagnóstico de câncer de ovário epitelial, o tipo mais comum, deve ter indicação de teste genético. O resultado orienta o tratamento e permite investigar familiares que também possam ter a alteração.

Mulheres com alterações nos genes BRCA1 ou BRCA2 podem se beneficiar de estratégias preventivas, como a retirada das trompas e dos ovários na idade adequada. A decisão é individual e leva em conta o desejo de ter filhos e a fase da vida.

Tratamento

Geralmente combina cirurgia e quimioterapia, planejadas em conjunto com a oncologia clínica:

  • Estágios iniciais: a cirurgia de estadiamento retira o tumor e avalia se houve disseminação.
  • Doença avançada: o objetivo é a citorredução completa, ou seja, retirar todo o tumor visível do abdome. Pode envolver outros órgãos e exige cirurgia de alta complexidade. Em alguns casos, a quimioterapia é feita antes da cirurgia, para reduzir a doença.
  • Depois do tratamento inicial: medicamentos de manutenção, como os inibidores de PARP, podem ser indicados conforme o perfil genético do tumor.

Cada caso é discutido com oncologia clínica, patologia, radiologia e genética. Uma avaliação individualizada e multidisciplinar é a base de um bom tratamento.

Dúvidas frequentes

CA-125 alto significa câncer?

Não necessariamente. O CA-125 pode aumentar em várias situações benignas, como endometriose, miomas, menstruação e inflamações no abdome. O exame é mais útil no acompanhamento de quem já tem o diagnóstico e deve ser interpretado junto com a avaliação médica e os exames de imagem.

Cisto no ovário é câncer?

A grande maioria dos cistos de ovário é benigna, principalmente em mulheres jovens. As características do cisto no ultrassom, a idade e os sintomas ajudam a definir quando é preciso investigar mais ou operar.

Tenho mãe ou irmã com câncer de ovário ou de mama. O que fazer?

Procure avaliação para aconselhamento genético. Dependendo do histórico familiar, o teste genético pode ser indicado. Se for encontrada uma alteração hereditária, existem estratégias de prevenção, que são discutidas individualmente.

A cirurgia do câncer de ovário pode ser feita por robótica?

Em casos iniciais selecionados, a via minimamente invasiva pode ser considerada. Na doença avançada, a cirurgia aberta costuma ser a melhor forma de avaliar todo o abdome e retirar todo o tumor visível.

Referências

  1. Menon U et al. Ovarian cancer population screening and mortality after long-term follow-up in the UK Collaborative Trial of Ovarian Cancer Screening (UKCTOCS). Lancet. 2021;397(10290):2182-2193. Acessar
  2. Ministério da Saúde / INCA. Câncer de ovário: informações para a população. Acessar

Conteúdo educativo, atualizado em setembro de 2026. Não substitui a consulta médica: cada caso precisa de avaliação individual.

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