Oncoginecologia
Câncer de endométrio
O endométrio é a camada que reveste o útero por dentro. O câncer dessa região é um dos tumores ginecológicos mais comuns e, na maioria das vezes, dá um sinal precoce: sangramento fora de hora.
Sinais de alerta
O principal sinal é o sangramento uterino anormal:
- sangramento depois da menopausa, mesmo que pouco;
- sangramento entre as menstruações ou menstruação muito aumentada, principalmente depois dos 40 anos;
- corrimento incomum e dor pélvica também merecem atenção.
Como o sangramento costuma aparecer cedo, muitos casos são descobertos em fase inicial, quando o tratamento tende a ser mais simples.
Fatores de risco
O câncer de endométrio afeta principalmente mulheres depois da menopausa, mas pode surgir antes. Aumentam o risco:
- obesidade, porque o tecido gorduroso produz estrogênio;
- diabetes e hipertensão;
- exposição prolongada ao estrogênio sem a proteção da progesterona, como em ciclos sem ovulação (por exemplo, na síndrome dos ovários policísticos);
- uso de tamoxifeno, medicamento usado no tratamento do câncer de mama;
- histórico familiar, especialmente a síndrome de Lynch, uma condição hereditária que também aumenta o risco de câncer de intestino.
Diagnóstico
O ultrassom transvaginal mede a espessura do endométrio. Quando há suspeita, a biópsia, feita por aspiração no consultório ou por histeroscopia, confirma o diagnóstico. Ressonância magnética e tomografia ajudam a avaliar a extensão da doença.
Hoje, a análise molecular do tumor, que classifica o câncer em grupos com comportamentos diferentes, passou a fazer parte do estadiamento e ajuda a personalizar o tratamento.
Tratamento
Nos estágios iniciais, a base do tratamento é a cirurgia: retirada do útero, das trompas e dos ovários, com avaliação dos linfonodos. Nesses casos, a via minimamente invasiva, por videolaparoscopia ou robótica, é considerada padrão: grandes estudos mostraram resultados oncológicos equivalentes aos da cirurgia aberta, com recuperação mais rápida.
Depois da cirurgia, de acordo com o risco de cada caso, podem ser indicados radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia. Mulheres jovens com tumores muito iniciais e desejo de engravidar podem, em casos selecionados, discutir tratamento hormonal com preservação do útero.
A Dra. Tariane é coautora das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica para o tratamento cirúrgico do câncer de endométrio em regiões com recursos limitados, publicadas em 2020.
Linfonodo sentinela
O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo que recebe a drenagem do tumor. Com um corante especial e, na cirurgia robótica, com imagem por fluorescência, é possível localizá-lo e examiná-lo sem retirar todos os linfonodos da pelve.
A técnica ajuda a definir o estágio da doença com menos risco de linfedema, o inchaço nas pernas que pode acontecer depois da retirada de muitos linfonodos.
Dúvidas frequentes
Um sangramento pequeno depois da menopausa é normal?
Não. Qualquer sangramento depois da menopausa deve ser avaliado por um médico, mesmo que seja pouco e aconteça uma única vez. Na maioria das vezes a causa é benigna, mas é assim que muitos casos de câncer de endométrio são descobertos cedo.
O Papanicolau ou o teste de HPV detectam câncer de endométrio?
Não. Esses exames rastreiam o câncer do colo do útero. Para o endométrio, o mais importante é investigar sangramentos anormais com ultrassom transvaginal e, quando indicado, biópsia.
Vou precisar retirar o útero?
Na maioria dos casos, sim: a cirurgia é a base do tratamento. Em mulheres jovens com tumores muito iniciais e desejo de engravidar, pode-se discutir, em casos selecionados, um tratamento com hormônio que preserva o útero, com acompanhamento rigoroso.
Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia minimamente invasiva?
Varia de paciente para paciente e conforme a extensão da cirurgia. Em geral, a internação é curta e o retorno às atividades leves é mais rápido do que após a cirurgia aberta. As orientações são individualizadas.
Referências
- Berek JS et al. FIGO staging of endometrial cancer: 2023. Int J Gynaecol Obstet. 2023;162(2):383-394. Acessar
- Walker JL et al. Recurrence and survival after random assignment to laparoscopy versus laparotomy for comprehensive surgical staging of uterine cancer: GOG LAP2 Study. J Clin Oncol. 2012;30(7):695-700. Acessar
- Janda M et al. Effect of Total Laparoscopic Hysterectomy vs Total Abdominal Hysterectomy on Disease-Free Survival Among Women With Stage I Endometrial Cancer (LACE). JAMA. 2017;317(12):1224-1233. Acessar
- Ribeiro R, …, Foiato T, et al. Brazilian Society of Surgical Oncology guidelines for surgical treatment of endometrial cancer in regions with limited resources. J Surg Oncol. 2020;121(5):730-742. Acessar
Conteúdo educativo, atualizado em setembro de 2026. Não substitui a consulta médica: cada caso precisa de avaliação individual.
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